Projeto aponta necessidade de campanha permanente de respeito ao professor


Foto: Helder Faria

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), realizou uma pesquisa com mais de 100 mil professores e diretores de escola do segundo ciclo do Ensino Fundamental e do Ensino Médio (alunos de 11 a 16 anos), que apontou que o Brasil lidera um ranking de violência nas escolas. O levantamento considera dados de 2013, quando 12,5% dos professores brasileiros ouvidos relataram serem vítimas de agressões verbais ou de intimidação de alunos ao menos uma vez por semana. A média entre os 34 países pesquisados é de 3,4%. O Brasil é seguido por Estônia (11%) e Austrália (9,7%).

A partir desses dados, o deputado estadual Paulo Araújo (PP) apresentou na sessão plenária de terça-feira (28), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o  Projeto de Lei 563/19 que pretende criar campanhas publicitárias permanentes nas escolas públicas do ensino fundamental e médio no estado de Mato Grosso de valorização e respeito ao trabalho do professor, que visa valorizar e estimular os profissionais da área, bem como induzir o respeito dos alunos aos professores e suas decisões na rede pública de ensino.

“Além das agressões físicas e verbais, as condições de trabalho são muito estressantes em algumas regiões do estado. Tenho relatos, por exemplo, de professores que convivem com confrontos nos arredores das escolas onde trabalham e ameaças recorrentes de estudantes e familiares. As consequências dessa realidade para os profissionais da educação são graves. Ao qual, pode levar a Secretaria Estadual de Educação de conceder licenças por doenças como transtorno ou reação ao estresse, depressão e esquizofrenia”, explicou Paulo Araújo.

Segundo o texto de justificativa do Projeto, tem que existir uma ampla campanha publicitaria permanente nas escolas públicas de ensino fundamental e médio, com cartazes impressos fixados nas paredes dos estabelecimentos, que tragam mensagens de valorização e respeitos aos professores.

O parlamentar complementa sua justificativa esclarecendo que “o ensino público, que um dia foi considerado de boa qualidade, tem passado pro graves problemas, além da má qualidade, ainda há o problema causado pela falta de autoridade em que os professores tem sofrido, além de sua baixa remuneração. Não é raro os caso em que educadores se tornam reféns de alunos, que além de não terem interesse nas aulas, causam grande desordem na sala. Inclusive, já se foi noticiado varias vezes, casos em que alunos estão armados nas escolas e ameaçam professores de diversas formas, ficando estes impossibilitados de se defender ou de tomar qualquer providencia para situação”, concluiu Araújo

Dados

Conforme informações da Secretaria de Segurança Pública (Sesp), entre as principais ocorrências registradas em unidades escolares de Mato Grosso, em janeiro e fevereiro de 2019, estão 99 furtos, 44 ameaças e 22 lesões corporais. Existe registro ainda, entre janeiro e fevereiro, de 12 casos de difamação, 07 injúrias, 10 desacatos, 03 roubos, 05 vias de fato, 04 casos de tráfico e 01 estupro de vulnerável.

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