Engenheiro aeroespacial brasileiro enfrenta desafio em missão simulada



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Imagine que você está em missão espacial e tem direito a apenas oito minutos de banho – por semana. Em tese, um minuto por dia. Como faria para administrar essa escassez de água fora do planeta Terra?

Pois este foi um dos desafios que o engenheiro aeroespacial Lucas Brasileiro enfrentou ao participar de uma missão simulada da Agência Espacial Europeia, a ESA, batizada de EuroMoonMars 3, em janeiro deste ano.

E olha a solução que ele encontrou: “Eu vim com a solução do balde de água. Então, eu colocava um minuto de água no balde e tomava meu banho tranquilamente. E este protocolo foi inserido para outras missões. Foi uma solução que encontrei e pude me higienizar com o balde de água, que é o que a gente faz no Brasil quando há algum problema de encanamento e a água não vem.”

Foram duas semanas no Havaí, em uma área explorada pela Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, e pela ESA para simular um habitat extraterrestre – como seria, por exemplo, na Lua ou em Marte.

O brasileiro, formado pela Universidade de Brasília e que hoje faz doutorado na França, foi selecionado junto com mais cinco pessoas para convivência em área inóspita do nosso planeta, uma espécie de domo, que imita um alojamento que pode ser usado em futuras missões.

Além do limite de água para banho, Lucas Brasileiro destacou que o maior desafio na missão foi estar preso dentro de uma bolha, com um rotina fechada.

“A minha função era de engenheiro-chefe e, nesse caso, eu tinha que tomar conta do sistema o tempo inteiro. De hora em hora, checar níveis de bateria e de água, tudo isso era uma coisa diária e então essa nova rotina foi um desafio. Também os testes psicológicos no fim do dia, quando estávamos cansados. Um deles era relacionado a missões marcianas.”

Ele destaca como a engenharia aeroespacial é fundamental em missões, ainda mais aquelas que podem ser tripuladas. “Os engenheiros aeroespaciais focados em propulsão, eletrônica, no controle de voo, em estruturas e materiais estarão sempre tentando achar meios seguros,com soluções para dificuldades que poderão vir. A ideia dessas missões é não perder ninguém.” 

Ao fim da missão, Lucas Brasileiro lembra a emoção ao sair daquele ambiente árido e mudar a perspectiva sobre coisas simples. “Quando a gente saiu, a gente começou a ver as coisas mais verdes, ver gente, comer comida que considera natural, comida de verdade. Então, apesar de duas semanas de isolamento total, é um pouco chocante essa saída.” 

Edição: Graça Adjuto

Fonte: EBC Geral

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