Secretaria Municipal de Saúde realiza mapeamento dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana, de terreiros e afro brasileiras



Luiz Alves

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A Secretaria Municipal de Saúde (SMS), através da Área Técnica de Saúde da População Negra, está realizando um mapeamento dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana, de terreiros e afro brasileiras localizadas em Cuiabá, com os objetivos de identificar e conhecer melhor as necessidades de saúde desse público, contribuir para aumentar sua visibilidade, estimular o combate a intolerância religiosa e contribuir com a implementação de políticas públicas voltadas a esta população. O formulário já está disponível no site da Prefeitura, através de um banner na página inicial (clique aqui para acessar).

No questionário, o participante irá fornecer informações como o nome do terreiro, ano de fundação, nome do fundador, se faz parte da umbanda, quimbanda, candomblé ou outro, de qual nação faz parte, se está na zona urbana ou rural, se faz parte de alguma federação, as condições de saneamento, abastecimento de água e infraestrutura da casa e da rua onde está localizada, se são oferecidos projetos sociais, entre outros. 

De acordo com a responsável técnica da Saúde da População Negra da SMS, Nara Nascimento, muitas vezes, pessoas que fazem parte de comunidades tradicionais de matriz africana têm seu acesso à saúde prejudicado devido à discriminação. “A gente sabe que essa população sofre uma carga de preconceito. Uma das principais queixas deles é a questão do acesso. Por exemplo, quando uma pessoa chega numa unidade de saúde com seu turbante, com suas guias, com sua indumentária, há uma tendência das pessoas se surpreenderem. Mas, na verdade, não é nem uma surpresa, é um olhar preconceituoso. Nós também queremos com isso discutir toda a questão da intolerância religiosa e também a implementação de políticas públicas destinadas a essa população dos povos de terreiro”, explica. 

Conforme Nara Nascimento, a saúde da população negra é transversal, ou seja, deve ser trabalhada pelas demais áreas técnicas da Secretaria Municipal de Saúde e em todos os níveis de atenção à saúde. Além disso, as informações que serão colhidas no mapeamento são de interesse também de outras Secretarias municipais. “Os povos tradicionais não são de interesse apenas da Saúde, eles são de interesse da Cultura, do Turismo, da Assistência Social, da Segurança, do desenvolvimento sustentável. Então, esse mapeamento trará informações que servirão a todas as secretarias, não só a de saúde”, diz. 

O mapeamento é fruto de diálogo entre a SMS, representantes e lideranças dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana da Capital e já passou por algumas etapas de levantamento de dados, por meio de busca ativa dos agentes comunitários e unidades básicas de saúde, conversas com lideranças comunitárias e religiosas, além de órgãos e entidades representativas, como as federações, o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial, o Ministério Público, entre outros. 

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