Comissão debate ameaça a quilombolas em Tocantins



Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados
Violências contra a mulher negra na pandemia - Consciência Negra. Dep. Vivi Reis PSOL-PA
Vivi Reis: “A autonomia dos povos tradicionais está gravemente ameaçada”

A Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia da Câmara dos Deputados realiza audiência pública nesta quarta-feira (24) para debater a ameaça aos povos quilombolas do Tocantins. O debate será no plenário 12, às 14 horas.

A deputada Vivi Reis (Psol-PA), que pediu a audiência, lembra que o objetivo do debate é cobrar providências em razão de ameaça aos povos quilombolas do Jalapão, em meio ao processo da concessão do parque estadual para a iniciativa privada, sem haver a demarcação e titulação dos territórios quilombolas, localizados nos municípios de Mateiros, Ponte Alta do Tocantins e São Félix do Tocantins.

“Em um contexto de desmonte da política ambiental e sob argumento de falta de recursos, o Ministério do Meio Ambiente lançou em fevereiro de 2021 o Programa Adote um Parque, com a proposta de transferir para a iniciativa privada a proteção de unidades de conservação. Até o momento, 132 unidades de conservação foram incluídas na proposta. Até agora, oito já foram adotadas por grandes empresas, como Carrefour, Coca Cola e Heineken”, disse Vivi Reis.

Famílias tradicionais
Mas, segundo a deputada, as unidades adotadas são também o território onde vivem mais de 2 mil famílias tradicionais, que agora ficam à mercê das empresas cujo interesse na adoção não está explícito.

“Com a concessão das áreas para empresas, a autonomia desses povos sobre seus territórios está gravemente ameaçada. Além do Programa Adote um Parque, o governo federal tem atuado também por outros caminhos para a privatização das áreas protegidas”, observou a deputada.

Debatedores
Confirmaram presença no debate:
– a representante do Povoado do Prata, Osirene Francisca de Sousa;
– a pesquisadora Ana Lúcia Pereira, membro do Grupo de Extensão e Pesquisa Igualdade Étnico-Racial e Educação da Universidade Federal do Tocantins (UFT); e
– o procurador do Ministério Público Federal no Tocantins, Álvaro Lotufo Manzano.

Da Redação – RS

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